Estes últimos dias têm sido uma verdadeira montanha russa. O meu coração e o meu corpo tremiam de felicidade e de profunda tristeza. Há dois meses que a minha família foi abalada, mais uma vez, pelo monstro do cancro. Desta vez resolveu atacar o meu pai.
Foram dois meses de uma profunda agonia. Uma dor imensa ver alguém sofrer tanto e sentir-mo-nos completamente atados sem conseguir fazer nada, ou praticamente nada pela pessoa que nos é tão querida. Foi uma doença horrível, avassaladora, terrível e que me assombra durante as noites.
Não é fácil para mim escrever estes textos, não gosto de falar de coisas más, mas efectivamente elas fazem parte da vida.
O meu pai morreu hoje, às 12:59 enquanto eu vinha em contra-relógio no comboio, com uma esperança muito pequenina de ainda tentar arranjar-lhe a mão com força até ao último suspiro. Não estive de corpo, mas estive lá com ele, via telefone, até ao fim.
Fim. O que é isso do fim? Pois bem, o meu luto é branco. Eu acredito na luz, acredito na vida pós morte, acredito que ele deixou de sofrer e que agora está no caminho certo. E por isso mesmo decidi que deveria manter o meu lançamento do livro que é já amanhã.
Esta decisão, confesso, foi umas decisões mais difíceis da minha vida. Mas na forma como encaro a vida, na forma como mostro amor, não poderia ser de outra maneira. Vou ter oportunidade de homenagear o meu pai, num momento mais ou menos feliz, vou falar-vos um pouco da importância que ele teve para a construção da minha vida na área da alimentação. E sendo o meu pai um homem de literatura, tenho a certeza absoluta que ele estava muito orgulhoso por esta minha conquista. Enfim, vou tentar não chorar (o que não prometo), mas vou tentar relembrá-lo e mostrá-lo um pouquinho a vocês.
Obrigada a todos os meus leitores.
Ponderei seriamente se deveria fazer este anúncio público, mas acho que faz todo o sentido.

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