Como sabem sou formada em design gráfico. E ainda na universidade aprendi os 10 fundamentos/ princípios do bom design do Dieter Rams. O Dieter Rams é um designer industrial, foi o grande designer da Braun. O seu trabalho sempre primou por uma simplicidade incrível, sempre com o factor “wow” em todas as peças que desenvolvia. Foi dos principais responsáveis por alterar a cor dos electrodomésticos da cozinha para a cor laranja nos anos 70. Um dia perguntaram-lhe se ele achava se o design dele era um bom design e ele respondeu no que se tornou até aos dias de hoje como a lista dos 10 princípios fundamentais para a criação do bom design. Que são:
1. O bom design é inovador
2. O bom design faz um produto ser útil
3. O bom design é estético
4. O bom design ajuda a entender o produto
5. O bom design é discreto
6. O bom design é honesto
7. O bom design é durável
8. O bom design é meticuloso
9. O bom design é ambientalmente correto
10. O bom design é o menos design possível
Claro que nem todos os princípios se aplicam ao que tento fazer na minha cozinha, mas falo-vos destes princípios porque, para mim, o último rege a minha vida em quase tudo. O menos é mais. O simples é o melhor. Menos, mas melhor – porque se nos concentrarmo-nos nos aspectos essenciais, e os não carregarmos os produtos com detalhes não essenciais. É um retorno à pureza, retorno à simplicidade.
E aqui aplica-se a 100% à culinária. Usar os alimentos da época e deixá-los falar por eles próprios, permitirem ser o rei da festa. A junção de poucos ingredientes muitas vezes a explosão de sabor é incrível. Sentir o verdadeiro sabor dos alimentos é fundamental. (Experimentem fazer isso também na vossa vida. Sentir o beijo profundo sem esperar mais nada. Sentir o abraço e inspirar para sentir o perfume dos cabelos. Levar a(o) filha(o) à escola e saborear o momento simples em que ela(e) nos sorri e diz “bom dia mamã”. O menos é mais… oh se é! Para mim, são estes pequenos momentos que me fazem dizer que sou muito feliz.)
E hoje trago-vos uma receita assim, em que o menos é mais e muito, muito mais.
Um pesto simples, fácil e hiper saboroso.
Este molho pesto não é o original. O original é de manjericão e pinhões. O molho pesto originalmente foi criado em Itália, mais especificamente em Ligúria, região onde o manjericão era muito abundante. Na época (sec. XIX) onde por falta de equipamentos tecnológicos era frequente esmagar os alimentos para fazer deles pastas e papas, começou-se a criar este molho para juntar às massas secas. O que perdura até hoje. Diz-se que para o molho pesto de manjericão não devemos usar o processador de alimentos (robot de cozinha) pois com a temperatura que as lâminas atingem o azeite cozinha o manjericão. Para isso, basta reduzir a velocidade do processador e já não atingimos temperaturas mais quentes.
Este que vos trago é uma das imensas variantes do molho pesto original. Eu adoro espinafres, pelo que este é dos meus favoritos. Para além de tudo o que é fundamental em qualquer receita é a qualidade dos produtos que usamos. Por isso aconselho a um bom molho de espinafres, de preferência biológicos. Dentes de alho bem perfumados, um excelente parmesão. E, por fim, um azeite de qualidade. Eu hoje usei a garrafa de azeite que um querido amigo me ofereceu no Natal. É um azeite produzido por ele e é realmente, delicioso. Acompanhei o processo dele, desde a ideia até à produção final. E gosto de tudo, do nome, do logótipo e, claro, do azeite. É delicioso. Vejam aqui: www.casadoruco.pt.




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