“Há dias em que não cabes na pele com que andas,
Parece comprada em segunda mão, um pouco larga nas mangas.”*
Não sei se costumam ter esta sensação, de que não cabemos dentro de nós próprios, que parece que tudo o que vestimos/usamos não nos serve, não nos encaixa. Há dias assim, em que me olho ao espelho e não gosto de nada, só reparo numa borbulha, nas estrias da barriga, na pele mais flácida, nas olheiras, do cansaço estampado no rosto… e vou disfarçando, vou à “caixinha da saúde” e coloco um pouco de cor na cara, para dar um ar mais saudável. Mas o espírito continua lá e, inevitavelmente, nesse dia toda a gente pergunta se me estou a sentir bem, que estou com ar cansado, que estou mais magra… E a estima e o espírito descem ainda mais e mais, e vou-me afundando numa tristeza que muitas vezes nem eu própria percebo como lá cheguei.
Até que um dia percebi, muito mais do que roupa bonita, maquilhagem bem feita, sapatos XPTO, cirurgias plásticas… muito mais do que isto tudo é o espírito que importa. Se eu decidir que vou gostar do que vejo ao espelho, que se olhar para a borbulha e perceber que um pouco de creme hidratante e um pouco de base vão disfarçar, ninguém vai notar, porque eu não vou estar a pensar nisso, que se olhar para as estrias da barriga e perceber que são a minha tatuagem de ter sido mãe de duas meninas lindas, essas estrias vão-se tornar lindas, e vou aprender a gostar delas e até exibi-las na praia, se olhar para as olheiras e decidir que tenho de descansar mais e sorrir, elas irão melhorar, e se estou magra é porque sou assim e tenho de me aceitar tal qual como sou e amar-me muito.
Esta é uma aprendizagem que tenho vindo a construir. É algo que tenho de melhorar. E nos dias maus é fazer igual aos maus pensamentos, deixá-los vir e da mesma forma que vêm, deixá-los desaparecer. Não se forcem a nada. Simplifiquem a vossa vida. Não se armadilhem. Somos, maior parte das vezes, o nosso maior inimigo. Está nas nossas mãos o poder de sermos felizes.
Na simplicidade da vida está a felicidade, tal como na cozinha. E, por isso, hoje trago-vos um pão caseiro que não precisa de ser amassado e só precisam de 1 a 2 horas de levedura. Quem disse que fazer pão caseiro dá muito trabalho? Quem disse que não podemos ter o pão mais crocante e saboroso e super simples de fazer? Como vêm temos o poder nas nossas mãos de conseguirmos os pequenos prazeres, que todos juntos nos fazem sentir muito felizes. 🙂
Pão com azeite e alecrim
(pão caseiro sem amassar, receita adaptada de Chilli com Todos)
Esta receita é uma receita de um dos meus blogues favoritos, o Chilli Com Todos, do simpático e super talentoso Filipe. Para a minha versão da receita utilizei o azeite Oliveira da Serra 1ª Colheita, é um azeite com um sabor e aroma equilibradamente amargos, picantes e frutados, feito a partir das primeiras azeitonas colhidas ainda jovens e frescas. O sabor entre o amargo e o picante faz com que neste pão, o mesmo se transforme quase numa receita de focaccia. É aquele ingrediente que faz toda a diferença.
Notas introdutórias:
1. Para fazer este pão não precisa de amassar;
2. É importante ter uma panela que vá ao forno [preferencialmente de ferro fundido (as Le Creseut são óptimas!) para ajudar a manter a temperatura e humidade que o pão necessita].
Ingredientes:
500g de farinha de trigo
tipo 55 sem fermento
400ml de água morna
1c. de chá de flor de sal
12g de fermento de padeiro fresco (há à venda em todos os supermercados)





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