Quem me segue por aqui sabe que sou pouco de reclamar das coisas em geral, muito menos da vida. Mas já ando há algum tempo a querer escrever sobre este assunto que me tem deixado inquietada.
Quando decidi criar este blogue não tinha qualquer tipo de pretensão com o mesmo. Criei-o por puro gozo de partilhar as receitas que os meus amigos me pediam. Como maior parte das vezes criava-as por intuição não sabia as medidas e pesos ao certo. Como tal, resolvi começar a apontar as medidas, conforme ía cozinhando, tirava uma fotografia (muitas vezes com o telemóvel) e colocava aqui a receita e a imagem (foleira…. eheheh).
Entretanto fui aperfeiçoando a técnica e aprimorando o gosto por isto. Hoje cozinho muitas vezes a pensar na imagem que conseguirei criar. Por isso o espectro cromático passou a ser um elemento fundamental nas minhas receitas, tal e qual o tempero. O processo criativo passou a ser a fonte de prazer para as minhas receitas.
Este mundo da blogosfera está cada vez maior, partilhar online receitas, textos, imagens, pensamentos está ao alcance de qualquer clique. E isso é bom, é óptimo, é fantástico. As inspirações são enormes, imensas. A quantidade de informação é absurdamente gigante, pelo que dizermos que somos originais torna-se cada vez mais difícil, senão impossível.
Todos nós (bloggers) já fizemos receitas e imagens semelhantes a pessoas que admiramos. Eu faço muitas vezes, sem sequer ter a consciência que o fiz. O que vos estou a referir hoje é muito mais do que isto.
Andei muito tempo a tentar encontrar a minha marca, a minha imagem, a minha insígnia. Conheço muitos bloggers que fazem o mesmo e que são grande inspiração para mim. Mas não consigo deixar de ficar triste quando se vêem cópias exactas ao nosso trabalho. Uma tentativa de se aproximarem de nós de uma forma acintosa, quase que me faz lembrar aquelas pessoas que falam connosco demasiado perto de nós, sabem? Que quase sentimos o odor do hálito de tão perto, e que nos vamos afastando e elas insistem em se aproximarem de volta.
É importante isto? Não, nada importante… é só irritante. Claro que me vou manter, com a minha imagem, com a minha insígnia, com a minha marca de água e com as minhas fontes…
Este texto não vem de forma alguma atacar ninguém, e até é um grito de uma pessoa bem próxima de mim que não tem coragem de o fazer publicamente e que está a ser copiada à exaustão e ao pormenor. Às vezes este tipo de situações, faz-nos sentir nus…
Por hoje chega de gritinhos e desabafos, para isso trago-vos uma sugestão maravilhosa para brindarmos a chegada do calor. Uma salada leve e super saborosa.
Salada de potas e farfalle
Ingredientes:
200g de potas aos aros congeladas
100g de farfalle*
Coentros picados q.b.
3 dentes de alho picados
1 copo de vinho verde branco
Sal q.b.
Pimenta preta moída na hora
1 chilli vermelha sem sementes e finamente picada
1/4 de pimento vermelho
1 tomate coração de boi
Alface frisada
Azeite extra virgem
Preparação:
descongele atempadamente as potas.
Coloque água a ferver com um pouco de sal e coza a farfalle.
Faça um refogado com o alho picado, uma mão de coentros picados, um fio de azeite e uma pitada de sal. Deixe o alho estalar e coloque as potas. Deixe refogar um pedaço e junte o copo de vinho. Vá mexendo. Tempere com sal e pimenta preta. Junte o chilli vermelho. Coloque mais coentros e deixe cozinhar em lume médio.
Escorra bem a farfalle. Faça uma salada com o tomate, a alface e o pimento vermelho. Poderá temperá-la com um pouco de vinagre balsâmico e azeite. Sirva tudo no mesmo prato, pois os sabores coadunam-se na perfeição.
Acompanhe com pão (para molhar no molho) e se não estiver grávida (como eu!) com um copo de vinho verde branco…. humm…
* Esta farfalle foi comprada em génova, Itália. Cá nunca vi à venda.




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