Estou feliz por finalmente estar a escrever este post. Tinha de vos relatar e contar um pouco do que foi a viagem mais incrível da minha vida no que toca à comida. Tudo começou com uma simples pergunta no chat do facebook! Quem diria!?
Já há 3 anos que queria ir ao recipiese do Jamie Oliver em Londres, especialmente o de Notting Hill. Cheguei a marcar para quando fiz 30 anos, mas acabei por não ir, pois fui sozinha com o marido e não o quis deixar sozinho. Não que ele se importasse, eu é que não quis, sei lá, disparates de ser mulher! Então, fiz uma promessa a mim própria, nem que fosse sozinha a Londres eu iria ao recipiese fazer o máximo de cursos que eu conseguisse. Claro que no fundo eu não queria ir sozinha então tive uma ideia maluca. Fui falar com a Sandra da Marmita (que não conhecia pessoalmente, mas que, sei lá!, gostava dela e falava com ela várias vezes e tínhamos gostos muito semelhantes) e perguntei-lhe: “Queres ir comigo a Londres fazer os cursos do Jamie Oliver?” Mal eu sabia que ela era tão louca pelo homem que me respondeu logo que sim! Uau!!! Ela quis mesmo! 🙂 Então a partir daí ela convidou a Naida do Frango do Campo e a Inês do Ananás e Hortelã. E juntamos, assim, 4 meninas loucas pelo Jamie Oliver (mas nenhuma de nós tão louca como a Sandra… ela é que é a verdadeira fã do homem! eheheh)
Numa questão de 3 meses organizamos tudo. Compramos a viagem, e acreditem, o facto de termos esperado e estarmos num impasse durante 1 semana, fez com que as viagens disparassem! Depois andamos a escolher hotéis (caríssimos, não podia ser!), hostéis (maior parte horríveis) até que encontramos uma casa mais ou menos jeitosa (mas… preferia um hotel… chiu! lool). Lá conseguimos articular entre todas tudo o que queríamos e pagamos a casa. Depois os cursos… vocês não imaginam, mas acreditam que foi o mais complicado de decidir? Foi tão difícil que quando, finalmente em votação (sim, leram bem, foi preciso ir a votos! loool) decidimos quais íamos, fomos fazer o booking e pumba, o do pão estava esgotado! Então compramos o de Risotto e o de Mexican Street Food. Depois só faltava organizar a viagem toda e, para isso, ninguém melhor que a nossa querida Naida. Foi maravilhoso! Tínhamos tudo planeado e cada uma nós tinha uma função muito acertada na viagem.
Eu, Maria João, fui a transportadora da mala gigante que levamos no porão (tínhamos de levar uma mala para trazermos coisas, pois está claro!). Essa mala chegou a ter um nome, de Dexter (era tão gigante que cabia um corpo lá dentro, juro-vos!). Para além disso, tinha os contactos todos e as moradas. A Naida foi a nossa agente de viagens, com tudo planeado, moradas e inclusive sabia que loja fazia esquina, pois andou no google maps a passear antes de irmos. A Inês era a “latosa” do grupo. Sempre que queríamos pedir alguma coisa, como: “Podemos levar estes guardanapos para casa? É que somos food geeks e amamos o Jamie!”, era a Inês que o pedia, num inglês perfeito e com os olhinhos tão fofinhos que ninguém nunca nos recusou nada! A Sandra era a pacificadora. Sempre que havia qualquer problemazito, a Sandra estava lá para apaziguar, tranquilizar e arranjar sempre uma solução, para além disso era a maior fã do Jamie, por isso jantamos e almoçamos no Jamie Italian e ainda fomos visitar outro.
Fomos numa sexta-feira e voltamos segunda de manhã. Aproveitamos muito bem o sábado e o domingo. Na sexta, chegamos a tempo de ainda ir jantar ao Trattoria. Foi um jantar divinal. A grande vantagem de sermos quatro food lovers, é que escolhemos 4 entradas diferentes, 4 pratos diferentes e ainda, 4 sobremesas. O mais variadas possível, e conseguimos experimentar uma grande parte do menu. Era tudo delicioso, mas destaco os arancinis com nozes, a pizza de cogumelos e mozzarela fumado e o tiramissú. A acompanhar bebi um vinho rosé maravilhoso. Bem, foi mesmo um jantar óptimo. O empregado que nos serviu estava encantado connosco ou, talvez, admirado e a achar que éramos totalmente anormais. Porque sempre que ele pousava um prato nós as quatro pegávamos nas máquinas e começávamos a disparar! De rir. As pessoas ao nosso lado estavam boquiabertas… ahahah
No sábado fizemos Portobello Road. A rua obrigatória quem ama comida e vai a Londres. Com imensas barracas de comida de rua, frutas e legumes maravilhosos à venda, um stand da Popina… enfim… de perder a cabeça. Só queria viver ali, naquele momento e comprar tudo ali fresquinho e ir de imediato para a cozinha. Fomos, também, à Books for Cooks, uma livraria só de livros de culinária, com uma cozinha onde muitas vezes há workshops a decorrer, fomos à Ottolenghi, com comida só vegetariana e óptimo aspecto. Depois, saímos de Portobello e fomos até ao World Market Food!! Mais uma vez, uma perdição. Tem tanta coisa, tanta coisa, tanta coisa… não imaginam! É um mundo! Voltamos a Notting Hill e fomos ao recipiese fazer os cursos da nossa vida. Fizemos dois workshops, foram óptimos, eu ficava lá o dia inteiro a aprender. Amei conhecer a Chef Antonia (com origem portuguesa) e a chef que nos deu o workshop de Risotto. Ambas muito simpáticas e estiveram muito tempo a conversar connosco. Adoraram saber o que nos motivou a lá ir.
No domingo fizemos um passeio mais turístico pela cidade, mesmo assim fomos almoçar ao Jamie’s Italian em Covent Garden e estivemos horas lá dentro, a saborear tudo ao pormenor. Comemos muito bem, mas o Trattoria foi muito melhor. Mesmo assim, a selecção de pães italianos que pedi de entrada e a palvova que a Sandra pediu de sobremesa, superaram todas as espectativas. Muito, muito bom!
Ao final do dia os bolsos estavam vazios, mas os nossos corações cheios! Foram dias muito intensos, maravilhosos, saborosos e com companhia fantástica. Adorei ir convosco meninas, todas tão diferentes e todas tão maravilhadas por estes encantos da comida. Houve muita gente que me perguntou: “Conheceste o Jamie?” Não, não conheci, ele nem sabe que eu existo! E muitas outras pessoas: “Alguém te pagou a viagem? Tiveste patrocínios?” Não, também não. Foi tudo de poupanças minhas e fruto do meu esforço e trabalho. Mas, oh marcas que me lêem, eu vou querer fazer mais foodtrips, querem apoiar? 🙂 ehehehe
E, hoje, trago-vos um bocadinho da viagem. Trago-vos uma versão da pizza de cogumelos e mozzarela fumado do Trattoria. Não é tão maravilhosa, mas estou hiper feliz porque consegui sabores idênticos e igualmente espectaculares.
Pizza de Cogumelos e Queijo Nisa
Massa de pizza
(receita adaptada do livro Jamie Oliver Cozinha em Itália)
Ingredientes para a massa (serve 6 a 8 bases de pizza tamanho médio):
800g de farinha trigo
200g de farinha de milho
1 c. chá de sal grosso
14g de fermento seco
1c. de sopa de açúcar amarelo
650ml de água morna
Preparação da massa:
Junte as farinhas e o sal. Faça um monte com as farinhas e abra um buraco no meio com cerca de 18cm. À parte junte a água morna com o açúcar e o fermento. Irá fazer uma reacção engraçada, tipo água com gás, deixe repousar um pouco e depois coloque esse preparado no buraco da farinhas. Vá envolvendo tudo com a ajuda de um garfo. Faça movimentos circulares com o garfo para trazer lentamente a farinha das bordas para o centro e misture-a com a água. Vai parecer uma papa cheia de grumos. Continue a mexer, juntando a farinha toda. Quando a massa estiver dura demais para continuar a usar o garfo, polvilhe as mãos com farinha e comece a dar-lhe forma de uma bola. Amasse a bola, rolando para trás e para a frente, e puxando com a mão esquerda para puxar a massa para si e a mão direita para a esticar para longe de si, ao mesmo tempo. Repita estes movimentos durante 10 minutos até ter uma massa leve e elástica, e muito músculo nos braços! eheh
Polvilhe com farinha a parte de cima da massa e cubra com película aderente e deixe repousar cerca de 15 minutos à temperatura ambiente. Divida a massa nas quantidades que quiser, pizzas pequenas, médias ou grandes. Eu fiz de vários tamanhos. Esta é com uma massa de tamanho pequeno (individual) e depois fiz outros tamanhos, deu-me para 6 massas. Depois estendi todas e enrolei-as em película aderente e guardei no frigorífico. O Jamie sugere fazer de outra forma, mas como quero usar já no dia seguinte, fiz desta forma. Mas podem fazer como ele sugere, fazer as bolas do tamanho que querem, colocar uma pitada de azeite na película aderente, achara a bola e colocar sobre o azeite, tapar com a película e guardar. Quando quiserem usar a massa basta estendê-la.
Cobertura da pizza
Ingredientes:
1 queijo mozzarela fresco
1/2 chávena de cogumelos shiitake secos
2c. de sopa de pasta de cogumelos, azeitonas e trufas (este)
Folhas de rúcula selvagem fresca
Microvegetais de beterraba (Life in a Bag)
Queijo nisa q.b.
Azeite extra virgem
Preparação:
Pré-aqueça o forno a 190ºC.
Depois da massa estar bem estendida barre-a com a pasta de cogumelos e trufa. Distribua o queijo mozzarela fresco. Numa tacinha demolhe os cogumelos secos. Escorra bem a água e coloque os cogumelos na massa. Leve ao forno por 20 a 30 minutos, ou até a massa estar dourada. Retire do forno e coloque a rúcula e os microvegetais. Parta pedacinhos muito pequeninos do queijo nisa e distribua por cima. Seja generoso, o queijo fica maravilhoso. Regue a pizza com um fio de azeite e sirva.
Foi um fim-de-semana brutal, a repetir! Quem sabe se no próximo ano não assistirão uma nova foodtrip a um outro país!?
Actualização:
Vejam AQUI o relato brutal da Naida. Um verdadeiro roteiro, eu bem vos disse que ela foi a nossa agente de viagens! 🙂




Deixe um comentário