Estava a começar a escrever este post com um texto a mostrar a minha indignação com o massacre que aconteceu em Orlando. Mas o que é certo, é que nada do que eu escreva irá conseguir descrever na realidade aquilo que eu sinto acerca deste acto.
Como sabem trabalhei numa escola em que havia liberdade de expressão e os alunos sentiam-se mais à vontade para serem quem realmente são, sem tabus, sem complexos, sem vergonhas. Mas eu, muitas vezes, ouvia “Ah, mas é uma escola de artes. Os artistas têm a mania de serem diferentes. Eles são gays só porque querem chocar!” Ouvi tantas, mas tantas vezes isto. Ou então “Agora os miúdos querem todos ser gays. É moda!” E se eu ouvi coisas destas, imaginem eles.
Mas, a sério? Acreditam mesmo nesta palhaçada? Será que estas pessoas acham mesmo que ser homossexual na nossa sociedade é fácil?
Dizemos viver numa época em que nos podemos expressar à vontade. Pois não podemos mesmo, de todo. De uma forma geral ser gay é ser doente, até há quem ainda diga que pode ser curado com umas injecções (sim, a sério que há quem diga isto!). Uma pessoa que resolve “assumir-se” luta contra uma sociedade inteira. Se anda de mão dada com o seu parceiro na rua é considerado atentado ao pudor. Se quer ter filhos é porque é um anormal que não sabe cuidar de uma criança porque esta será criada num ambiente promíscuo. Tomam-se à partida pressupostos de que um homossexual é alguém promíscuo, ignorante e boémio.
Tenho muitos ex-alunos homossexuais e tenho imensos amigos que também o são. E isso não é importante para mim. Não me interessa nada! Nada! A única coisa que me interessa é que eles sejam felizes. E gosto tanto de alguns deles, que me revolta e entristece saber que eles não possam ser felizes à vontade. Que eles não possam sair à rua, a um bar para ir beber um copo sem que apareça um louco que os resolva matar só porque não é igual a eles.
Enojam-me estas pessoas que descriminam os outros. Revoltam-me e muitas vezes fazem-me desacreditar na humanidade.
Não podia deixar de falar deste assunto que me tem tirado horas de sono. Quando as pessoas entenderem que a homossexualidade não é algo que tenha de ser assumido, que tenha de ser motivo de vergonha, ou que seja algo contagioso. Seria o mesmo que eu agora tivesse de assumir que nasci loira. Raios, alguma vez teria de “assumir” alguma coisa? Não! Sou loira e eles são homossexuais. Quando as pessoas entenderem isto, este passa a ser um não assunto.
Para ilustrar este “não assunto” resolvi mostrar-vos esta sopa, inspirada em várias culturas. Com a mistura do caril indiano e a cúrcuma oriental, com queijo feta grego e o bacon bem americano. Aqui fica a prova de que como num prato conseguimos misturar várias culturas e fazer algo de único e incrível. Posso-vos garantir que o mágico desta sopa é mesmo a incrível mistura de sabores e texturas. Como vêm com a diversidade conseguimos criar o extraordinário.



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